Adece e Observatório da Indústria promovem debate sobre Economia Azul no Ceará
29 de janeiro de 2026 - 10:21 #CS Economia Azul #Observatório da Indústria #Setor Produtivo
Texto e Fotos: Fiec

A Câmara Setorial de Economia Azul, vinculada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), realizou a sua primeira reunião do ano com discussões em torno da “Taxonomia da Economia Azul no Ceará”. O encontro aconteceu no Observatório da Indústria do Estado e reuniu representantes do setor produtivo, sindicatos, governo e academia para discutir a temática e seus desdobramentos para políticas públicas, investimentos e estratégias empresariais no estado.
Conduzido pelo presidente da Câmara Setorial, Rômulo Soares, o encontro foi uma etapa considerada fundamental para delimitar os setores que compõem essa atividade econômica e compreender seu impacto real no desenvolvimento cearense.
“A Câmara Setorial reúne entidades do setor público, entidades privadas associativas, como a FIEC e o SEBRAE, e temos como missão fazer uma conexão entre economia, governo e mercado. Nossa Câmara é dedicada à economia que conversa com o mar e com territórios costeiros, é uma câmara bastante transversal, é um hypercluster, envolve várias atividades”, destacou Soares. Segundo ele, o principal objetivo do grupo é construir uma visão ecossistêmica do setor. “Os vários personagens se reunindo e conversando a partir de realidades diferentes permitem uma visão do que é essa economia do ponto de vista ecossistêmico”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente da Câmara, a reunião marcou um momento de alinhamento conceitual. “Essa é a primeira reunião do ano e tinha como objetivo entendermos quem somos, se somos um ecossistema, o que compõe esse ecossistema. O primeiro passo é esse, e a discussão de hoje nos permitiu entender muita coisa”, pontuou.
Para os próximos meses, a expectativa é avançar da análise para a ação. “O Observatório da Indústria e a FIEC mostraram que têm papel estratégico na dinamização deste setor. Hoje, o Observatório apresentou como está sendo montado esse diagnóstico para a ação. Nos próximos meses, teremos uma atuação em campo diretamente com atores econômicos selecionados, para que possamos aprimorar a atividade econômica dessas empresas e dos setores”, completou.
Inteligência aplicada

Um dos destaques do encontro foi a apresentação do “Programa de Inteligência da Economia Azul Cearense”, conduzida por Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria Ceará e economista-chefe do Sistema FIEC. Desenvolvido em parceria com o SEBRAE, o programa tem como objetivo estruturar e ativar oportunidades estratégicas nas cadeias da Economia Azul, com foco em micro e pequenas empresas do setor industrial, por meio de inteligência tecnológica e mercadológica, capacitação estratégica e articulação do ecossistema, alinhadas aos princípios da Economia Azul.
Nesse contexto, o analista de Prospectiva Estratégica do Observatório da Indústria Ceará, Vitor Hugo Sampaio, ressaltou a relevância da construção de uma taxonomia compartilhada. “Do ponto de vista estratégico, a construção, clara e compartilhada entre os principais stakeholders locais, de uma taxonomia da Economia Azul é um divisor de águas para o Ceará. Ela nos permite transformar um conceito amplo em inteligência aplicada, capaz de orientar políticas públicas, investimentos e estratégias empresariais com maior precisão”, destacou.
Segundo ele, ao organizar e dar visibilidade às diversas cadeias produtivas, o projeto fortalece o posicionamento do estado. “O projeto de Economia do Mar, desenvolvido pelo Observatório da Indústria Ceará em parceria com o SEBRAE e com o apoio da Câmara Setorial de Economia Azul, fortalece a capacidade do Estado de se posicionar como referência nacional em Economia Azul, conectando vocações naturais com inovação, governança, escala, credibilidade, competitividade industrial e inclusão produtiva nos territórios costeiros”, acrescentou.
Entre os produtos previstos no programa estão o mapeamento de oportunidades tecnológicas, análises mercadológicas e de stakeholders, rodadas de negócios azuis, um summit de Economia Azul, assessorias em tecnologia e inovação, ciclos de formação e a elaboração de um relatório técnico.
Impacto transversal

Para o vice-presidente da Câmara Setorial de Economia Azul e representante do Sindfrio, Roberto Gradvohl, a realização do evento na FIEC tem significado simbólico e estratégico. “Estou feliz demais de estarmos fazendo esse evento na FIEC, no Observatório, pois a Economia do Mar foi concebida aqui, e nós trabalhamos muito na disseminação da cultura e na implantação de negócios. Hoje, chamamos de Economia Azul, e entendemos que é um processo irreversível”, afirmou.
Gradvohl destacou ainda os ganhos econômicos associados à adoção dessa visão pelas empresas. “As empresas, quando têm um olhar azul para seus métodos e processos, melhoram e passam a valer mais, ampliam suas clientelas. Entendemos que é muito produtiva essa ação da FIEC de estimular e incentivar a nossa Câmara de Economia Azul. Vemos um futuro bem promissor para as indústrias e para a sociedade em geral”, completou.
A professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante da Câmara Setorial, Tarin Montalverne, por sua vez, reforçou a importância do debate conceitual para o avanço da agenda no estado. “Esse evento de hoje foi muito importante, pois refletimos sobre os principais pontos da taxonomia da economia azul. Acho que hoje esse é o grande desafio: saber o que é a Economia Azul e, além de definir, entender qual o impacto econômico dessa economia para o nosso estado”, avaliou.
Segundo ela, ainda há lacunas a serem preenchidas no país. “No Brasil, ainda não temos essa dimensão. Precisamos avançar, principalmente no estado, para termos políticas públicas voltadas a incluir as comunidades que dependem dessas atividades econômicas, avançar no empreendedorismo e, como foi dito hoje, na capacitação e na inovação do tema”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a professora ressaltou que a consolidação dessa agenda depende do engajamento coletivo. “A sociedade e os atores públicos e privados precisam entender a importância da economia azul para o estado e como podemos fomentá-la. Quando todos compreenderem essa relevância, teremos uma governança efetiva dessa pauta e conseguiremos avançar em todas as frentes. Isso terá um impacto muito positivo não só no âmbito econômico, mas também no social e ambiental, pois, quando falamos de Economia Azul, estamos falando de sustentabilidade”.